Conferência Internacional Comemorativa
 do
 Bicentenário da Biblioteca Pública de Évora


"BIBLIOTECAS PARA A VIDA:
LITERACIA, CONHECIMENTO, CIDADANIA"



27 e 28 de Outubro de 2005

RESUMOS
 

Chris Batt (Resource/Reino Unido)
Investing in knowledge
 

This paper will consider the very significant impact that museums, libraries and archives will have in the development of the 21st century knowledge society. It will consider the value of developing and sustaining collecting institutions and the ways in which those institutions can develop 'universal right' propositions. It will use as its example the development of services within the United Kingdom and will present the importance of partnership activities within a wider agenda that traditionally considered by collecting institutions. The paper will also focus on the growing importance of information and communications technologies as the means of connecting distributed institutions together into an integrated national framework and how that resulting data mountain might be managed to provide meaningful and
personalised resources for the citizen.
 

Jens Thorauge (Library Council/Dinamarca)
Lifelong learning and promotion of reading and literacy 
 

The public library of tomorrow: play, read, learn.
Based on the fact that the hybrid library is already a basic concept for public libraries in many parts of the world, the paper elaborates and discusses new concepts for activities and services.
The future public library as well as research libraries will offer more and more digital content, and the use of the library and the behaviour of users tend to change.
Catalogues are growing into portals with access to full text, music, films and other resources on a 7/24 basis, which will change the library into a clearing house and further develop e-services like ’Ask a librarian’ and special information services.
The growth of virtual services is influencing traditional services and the design of the library space. Likewise the services and the offers are developing towards a concept where access to books and other library materials is only one of many other services and maybe even a minor one. Programmes may include active support for children’s playing and reading skills, learning opportunities, cultural events, clubs and discussion groups.
The paper will discuss strategies for, and some consequences of, a further development of the hybrid library along these lines.
 

Henrique Barreto Nunes (Biblioteca Pública de Braga) 
Para se conseguir a sabedoria, nada há de tão útil e de maior necessidade que uma Biblioteca Pública
 

Manuscritos centenários, livros impressos a partir do séc. XV, jornais e revistas publicadas desde o séc. XVIII, cartografia, estampas e fotografias são textos e imagens produzidas no decurso dos séculos que testemunham, preservam a memória e por isso constituem um património bibliográfico único.
Como chegaram às bibliotecas públicas, que problemas levanta a sua conservação, que desafios lança a sua valorização, divulgação e acessibilidade, qual a sua importância nos dias de hoje são algumas das questões a que esta comunicação procurará responder, centrando-se especialmente nos casos das Bibliotecas Públicas de Évora e Braga.
 

Paulo Leitão (Biblioteca Municipal de Almada)
A Internet nas Bibliotecas Públicas: da disponibilização à apropriação
 

Esta comunicação parte da perspectiva de que a WEB constitui uma fonte de informação essencial para o cumprimento das missões das bibliotecas públicas, sendo portanto necessário encará-la como um recurso que, embora apresentando determinadas especificidades, deve ser objecto de um trabalho de intermediação tal como outro tipo de informação. Por outro lado, as suas especificidades em termos de acessibilidade exigem que a biblioteca defina uma política de acesso que apresente um valor acrescentado em relação a outras propostas com carácter mais comercial.
Num primeiro momento faz-se uma abordagem sintética à realidade contemporânea da Web, destacando os seus aspectos estruturais, sobretudo no que diz respeito aos conteúdos disponibilizados e às formas de acesso. Em seguida abordam-se, numa breve caracterização, as abordagens das bibliotecas públicas portuguesas à utilização da WEB. Seguidamente apresentam-se tipologias de serviços de acesso à WEB desenvolvidos pelas bibliotecas, para, por último, se ensaiarem algumas propostas de organização deste tipo de serviços no contexto das bibliotecas públicas portuguesas
 

Manuela Barreto Nunes (Universidade Portucalense)
Navegar é preciso: A biblioteca pública entre o real e o virtual
 

Espaço público por excelência, a biblioteca pública contemporânea enfrenta desafios que questionam o seu lugar tradicionalmente incontestado de prestadora de serviços de acesso universal à informação, à educação, à cultura e ao lazer. As facilidades de pesquisa e recuperação de informação tornadas possíveis pelas novas tecnologias da informação e comunicação, e nomeadamente a rapidez e a comodidade características das tecnologias baseadas na Internet criaram alternativas muitas vezes ilusórias, mas ainda assim suficientemente atraentes para uma percentagem significativa dos potenciais utilizadores dos serviços de bibliotecas públicas. No entanto, nunca como hoje foram tão necessários serviços democráticos, de carácter inclusivo, universal e igualitário, que apoiem as populações nos processos de recuperação, acesso e processamento da informação, bem como no acesso à educação e aos bens culturais. Neste contexto, as bibliotecas públicas devem procurar desenvolver serviços que aproveitem as vantagens das TIC e da Internet e adaptar os princípios consignados pelo manifesto da UNESCO a um novo mundo onde o real e o virtual se interligam. Muitas já o fazem, designadamente através da criação de sítios Web próprios e da disponibilização de Web OPACs, mas a passagem do paradigma de Gutenberg para um paradigma digital não está a revelar-se fácil para estas instituições em particular. Nesta comunicação apresentaremos propostas para a construção de serviços virtuais eficazes de bibliotecas públicas, partindo de modelos já existentes nalguns pontos do globo e apontando as principais dificuldades e os maiores obstáculos que os profissionais da área enfrentam no seu processo de transformação em espaços híbridos com efectiva implantação na sociedade.
 

Hilario Hernández (Fundación Germán Sánchez Ruipérez/Espanha)
Lectura e información en las bibliotecas públicas
 

Existe una identificación tradicional entre las bibliotecas públicas y la lectura, hasta el punto de que éstas son definidas con frecuencia como centros de lectura. Los libros son, todavía hoy, el componente fundamental de la oferta que realizan las BP y en muchos países, al igual que en el caso de España, éstas son reconocidas por los ciudadanos sobre todo como una institución creada y mantenida para la preservación y difusión de la cultura escrita, como instituciones a las que se asigna la promoción de la lectura.
Sin embargo, el desarrollo de la Sociedad de la Información está suponiendo una profunda transformación en las prácticas y en el concepto tradicional de la lectura, tanto como en las funciones y servicios de las bibliotecas. Aunque, en ocasiones, se adopta un planteamiento excluyente que hace contraponer ‘lectura’ e ‘información’, cada vez parece más claro que no cabe pensar en una Sociedad de la Información sin una Sociedad Lectora y que es precisamente la lectura la práctica cultural que permite a los ciudadanos transformar la información en conocimiento, la “llave de plata” de la nueva sociedad.
La lectura ha pasado en muchos países, como España, a formar parte de las prioridades de los gobiernos, que lanzan campañas y planes de fomento de la lectura con creciente amplitud. Un breve repaso a estos planes en mi país puede ilustrar este empeño, entre las políticas educativas, culturales y tecnológicas. Por su parte, las bibliotecas públicas ven reforzada su función como puente entre las viejas y las nuevas tecnologías, como instituciones que garantizan el acceso  a la información, a la vez que trabajan activamente en el fomento de los hábitos de lectura desde nuevos planteamiento y nuevos métodos.
 

Zita Correia (CITI/INETI)
A Biblioteca pública como espaço de cidadania
 

O exercício da cidadania implica a integração numa comunidade estruturada em torno de um quadro de direitos e instituições, no âmbito do qual os indivíduos exercem os seus direitos civis, políticos e sociais. Estes três grupos distintos de direitos emergiram de forma gradual, acompanhando o desenvolvimento do moderno estado-nação democrático, e novos direitos se perfilam na agenda política que acompanha os novos desenvolvimentos, nomeadamente o emergir da sociedade da informação e a globalização da economia. Entre estes novos direitos contam-se os direitos culturais e o direito à inclusão social, que tem a ver com o imperativo cívico da participação e da utilidade social. Os sistemas nacionais de educação, de vocação universal, nem sempre cumprem os objectivos para que foram pensados. Estudos recentes têm demonstrado a persistência de níveis elevados de iliteracia em sociedades avançadas, e níveis particularmente alarmantes na sociedade portuguesa. Do mesmo modo, estudos relativos às práticas culturais revelam que o nível de instrução influencia apenas moderadamente os padrões de consumo de bens ou serviços culturais. A socialização escolar, só por si, parece incapaz de gerar a interiorização de padrões de gosto alheios aos que os estudantes interiorizaram nos seus contextos familiares de origem. A biblioteca pública, pelas suas características únicas, emerge como um espaço privilegiado de cidadania, na medida em que configura um espaço profundamente democrático de fruição da cultura, aberta a todos, independentemente da condição social e do grupo etário. Quanto mais próxima estiver da comunidade que serve, mais probabilidades terá de cativar todos os seus membros, desde tenra idade e ao longo de toda a vida, sem impor uma ruptura com o contexto familiar. Ao mesmo tempo que propicia a socialização em torno de práticas culturais mais próximas da cultura erudita, a biblioteca pública pode ainda desempenhar um papel privilegiado no desenvolvimento das competências informacionais indispensáveis à plena participação de todos os cidadãos na sociedade da informação.
 

Marian Koren (Public Libraries Association/Holanda)
Access to libraries of all ages for people of all ages: the right to information
 

The human species is developing itself through ages. The ability to read and write, initially a skill of the happy few, could not be limited to those in power: hence the right to education for all. The pleasure of being surrounded by books, once a privilege for the rich and learned, could not be denied to the populations, eager to learn and thirsty for knowledge; hence the right of access to information, materialized in the establishment of libraries for an increasingly wider audience and the development of public libraries throughout the country.
Civilisations who take democracy seriously know that a country’s prosperity depends on open access to information and public discussion by informed citizens. This is the basis for true citizenship. For this is equally necessary the ability of all to be literate, starting with giving all children access to books and reading materials for pleasure. The ability to read, literacy, goes beyond mere book reading, but implies even more so the ability of reading the signs of civilisation. That is why libraries have been established with a variety of readings in mind. The private collector collects those items which provide for him a special sign of literacy and knowledge. In the case of public libraries, the role of public collector is performed by professional librarians. They collect, fulfilling a public task, on behalf of the users and their needs for literacy and knowledge.
Libraries are of all ages: they have older and younger collections; the turn into the 21st century marks a major shift in their role. Establishing a library building and building up collections is only one step in an ongoing process of libraries. Giving access to digital materials is another one. The major challenge is to transform these sources into practical services, not only for those who have already access to a variety of sources, but for people of all ages. Children have a right to information as well. Life long learning can only have a meaning if being served and supported by library activities which include all age groups, starting with the very young. That makes a library truly public, and a public treasure to be maintained and cared for throughout ages
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