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Sinopse
Numa Lisboa sem tempo, entre Benfica e o centro,
nascem, vivem, sonham, amam, casam, trabalham e morrem as personagens
deste livro. No ventre de uma oficina de carpintaria aninha-se o cemitério
de pianos, instrumentos cujo mecanismo, à semelhança dos seres que os
rodeiam, não está morto, encontrando-se antes suspenso entre vidas. Exílio
voluntário onde se reflecte, se faz amor, lugar de leituras clandestinas,
espaço recatado de adúlteros, pátio de brincadeiras infantis e
confessionário de mortos, é o espaço onde se encadeiam gerações.
Os narradores – pai e filho –, em tempos diferentes, que se sobrepõem por
vezes, desvendam a história da família, numa linguagem intercalada de
sombras e luz, de silêncio e riso, de medo e esperança, de culpa e perdão.
Contam-nos histórias de amor, urgentes e inevitáveis, pungentes, nas quais
se lê abandono, violência doméstica e faltas nem sempre redimidas que, no
entanto, acabam por ser resgatadas pelo poder esmagador da ternura e dos
afectos. Falam-nos de morte, não para indicar o fim, mas a renovação, o
elo entre as gerações e a continuação: o pai – relação entre dois
Franciscos, iguais no nome e no destino, por um gerado, do outro genitor –
nasce no dia da morte desse primeiro Lázaro; o filho, neto do seu
homónimo, morre no dia em que a sua mulher dá à luz.
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