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As Conferências do Cenáculo, já na sua
6ª edição, dão continuidade à colaboração iniciada em 2004 entre a BPE e o CIDEHUS.UÉ. Têm tido até à data modelos diferentes, mas integram sempre o contributo de investigadores de Unidades de Investigação da Universidade de Évora que se dedicam à investigação sobre fundos e questões relacionadas quer com a BPE em particular, quer com as bibliotecas em geral.
Para além de apresentar uma reflexão sobre os estudos realizados, estas conferências sugerem igualmente pistas e caminhos para investigações futuras. É, de certo modo, uma forma de prestar contas, ou uma devolução dos conhecimentos adquiridos e das experiências recolhidas, à BPE, aos utilizadores, aos estudantes e à cidade.
A Biblioteca 2.0:
oportunidades e desafios para as bibliotecas do século XXI
Enquadramento e objectivos:
Quando
em 2004 Tim O’Reilly iniciava as primeiras tentativas para
definir a Web 2.0 não era previsível que o 2.0, enquanto
forma de exprimir uma nova fase de interacção social e
novas formas e práticas de prestação de serviços, se
espalhasse tão endemicamente pelos vários domínios da
acção humana. Pouco tempo depois, no entanto, começaram a
surgir expressão como Negócio 2.0, Lei 2.0, Medicina 2.0,
Cliente 2.0 e também Biblioteca 2.0.
A
expressão Biblioteca 2.0 nasceu em 2005 pela mão de
Michael Casey e daí para cá tem sido objecto de acesa
discussão, que oscila entre aqueles que consideram
tratar-se de um novo paradigma de biblioteca até aos que
negam qualquer tipo de inovação, passando por aqueles
outros que lhe são frontalmente contrários. Não obstante,
o conceito de Biblioteca 2.0 parece ter vindo para ficar
no universo das bibliotecas, enquanto movimento de
transformação destas organizações que, certamente, irá
desenvolver-se nos anos mais próximos.
As
bibliotecas que têm tentado pôr em prática este conceito,
fazem-no das formas mais diversas, mas com um traço comum:
o recurso às novas ferramentas que a Web 2.0 tem vindo
sucessivamente a disponibilizar. Se um dos impactos desta
utilização se traduzirá pelo nascimento de um novo
paradigma de serviço é, sem dúvida, um aspecto fulcral,
mas que é ainda impossível determinar. Aliás, a
transformação paradigmática, a verificar-se, não estará
apenas ligada à utilização de nova tecnologia, mas também
à aplicação de novos princípios e perspectivas que a
própria Web 2.0 encerra.
Perante
esta probabilidade de transformação profunda que as
bibliotecas têm que enfrentar importa reflectir sobre o
conceito e as suas formas de concretização, discutindo
diferentes abordagens e experiências. Esta reflexão e
discussão é tanto mais urgente no caso português, quanto,
quer a adesão a esta tendência pelas bibliotecas
portuguesas se revela tímida, quer a reflexão dos
profissionais relativamente incipiente. Assim, pretende-se
com esta VI edição das Conferências do Cenáculo, reflectir
sobre a emergência do conceito de biblioteca 2.0, avaliar
o impacto que poderá ter sobre as bibliotecas e discutir a
situação portuguesa neste domínio. Mas os profissionais
retirarão também desta conferência evidências e sugestões
que lhes permitirão pensar, em bases mais sustentadas, uma
eventual estratégia de implementação da Biblioteca 2.0
adequada à sua organização.
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Organização:
A Biblioteca Pública de Évora (BPE) cumpre
simultaneamente duas missões: enquanto biblioteca
patrimonial e de investigação geral, empenha-se na
recolha, salvaguarda e divulgação de um rico património
documental; enquanto biblioteca pública, trabalha no
sentido de facilitar o acesso da comunidade local à
educação, à informação e ao conhecimento, e ainda à
recreação e lazer.
A BPE, que em 2005 celebrou
200 anos de existência, orgulha-se de ser uma das mais
antigas e mais ricas bibliotecas de Portugal, o que é
inquestionável no que diz respeito às suas colecções. Elas
são hoje o resultado de um conjunto de circunstâncias que
juntaram numa cidade, numa instituição e num espólio
unificado uma grande riqueza de documentos raros, muitos
deles únicos. O seu fundador, o Arcebispo Frei Manuel do
Cenáculo, era um clérigo poderoso, generoso e culto, e é
uma das figuras de maior relevo do Iluminismo Português.
O espólio da BPE inclui 664
incunábulos e 6445 livros impressos do século XVI, para
além de vários núcleos de documentos manuscritos, de
cartografia, música impressa e mais de 20000 títulos de
publicações periódicas. A BPE é desde 1931 beneficiária do
Depósito Legal, o que tem contribuído para a sua riqueza e
abrangência em termos de bibliografia corrente, ascendendo
as suas colecções a mais de 612 mil volumes.
A BPE atrai muitos
investigadores da Universidade de Évora e, na realidade,
de todo o país. É igualmente muito visitada e os seus
serviços solicitados por investigadores e curiosos de todo
o mundo. A sua localização, no coração do Centro
Histórico, junto ao Templo Romano e à Catedral, e a
riqueza das suas colecções contribuem para fazer da BPE um
dos elementos essenciais de Évora enquanto Património
Mundial.
O
CIDEHUS.UE é uma unidade de investigação que se propõe
promover projectos interdisciplinares no domínio das
Ciências Humanas e Sociais.
Os seus investigadores provêm de diferentes áreas do
saber, organizam-se em três grandes grupos de trabalho e
têm revelado um crescente dinamismo na articulação entre
pesquisa, elaboração teórica, formação avançada e apoio à
comunidade.
O mais recente destes grupos, Bibliotecas, Literacias e
Informação no Sul (LIBIS), dedica-se genericamente ao
estudo do papel das bibliotecas e arquivos na sociedade da
informação e do conhecimento, e do seu impacto na promoção
da leitura e das literacias.
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