A Biblioteca 2.0

oportunidades e desafios para as bibliotecas do século XXI

18 de Novembro de 2010

Sala de Leitura da Biblioteca Pública de Évora
 


Apresentação | Notas Biográficas | Ficha de inscrição | Programa | Cartaz | Folheto
 

 

Library 2.0 and the Culture of Information
Olivier Le Deuff
Our speech will be divided in two different parts.
First, we will try to show the genesis and the evolution of the library 2.0 concept. We conducted a survey to understand the professionals' perception of a currently outdated concept. It seems that the biggest evolution with web 2.0 tools is the necessary development of new skills for the librarians in a digital environment. Maybe the new perspectives for library are more hybrids with web of data technologies.
In a second part, we would like to demonstrate that Culture of information is both a possible translation and a more ambitious vision of information literacy.
Information literacy has three different historical ways:
The economic design: the term information literacy has been used for the first time by Paul Zurkowski, president of the Information Industry Association (IIA) in 1974. He wished that employees would be better trained in management of information.
The librarianship influence: it is by far the best known, it represents the bulk of publications. It is especially after the text of the ALA (American Library Association) 1989.
The civic dimension: in 1976 the librarian Major Robert Owens defined information literacy as a civic skill ensuring the sustainability of democratic institutions.
The third way of information literacy has not been well developed in the end, especially considering its historical and theoretical foundations are the components of information literacy. To better understand this dimension of citizenship, a return to the Enlightenment and the encyclopedic project is necessary. The civic dimension of information literacy is based on the maturity of Understanding and the maturity with technical objects (Simondon, 1989).

Da blogosfera ao Facebook: o paradigma da comunicação nas bibliotecas portuguesas
Luísa Alvim

Análise da situação da presença das bibliotecas públicas e académicas portuguesas na blogosfera e na rede social Facebook. O aparecimento e desenvolvimento de blogues produzidos por bibliotecas é um fenómeno ainda recente em Portugal., actualmente a ser concorrido pela rede social Facebook, que passou a dominar o palco das redes sociais e converteu-se na rede mais utilizada em todo o mundo. A implementação de serviços 2.0 pelas bibliotecas tem como finalidade a participação, a interacção e uma melhor comunicação com os seus utilizadores. Quais as estratégias que as bibliotecas utilizam para atingir uma melhor comunicação e interacção na Web com os seus utilizadores, através dos blogues e das redes sociais? Que usam fazem destas tecnologias da informação e da comunicação? Neste estudo apresenta-se um levantamento da situação e das tendências actuais nestas unidades de informação.

Blogo agora que estão a morrer…ou não? : blogues como ferramentas de apoio às tarefas de promoção da leitura
Gaspar Matos

Mais do que obtermos retorno dos utilizadores, ajudarmo-nos nas respostas às suas solicitações e expectativas. É esta a mais-valia do blogue – hoje – para o bibliotecário, principalmente quando, para feedback de actividades, acções e iniciativas, o Facebook dá as cartas, actualmente. Já da partilha especializada de saberes – nomeadamente no âmbito da promoção do livro, da leitura e da literatura –, ter à mão um blogue de um livreiro, editora ou crítico literário tem um valor incalculável. Na blogosfera o conteúdo é cada vez mais rei, e a credibilidade dos que o produzem fundamental para validação da informação. Munidos de uma série de endereços que cumpram o supracitado, redistribuiremos sugestões de leitura – a título de exemplo –, de forma bem mais assertiva, rápida e segura. Aliás, é também considerando estas vantagens que se desmonta a ideia da morte anunciada destes moleskines digitais. Talvez metamorfose seja a palavra mais adequada.

Mundos virtuais: que vida existe no Second Life?
Miguel Mimoso Correia,  Bruno Duarte Eiras

O desenvolvimento dos “mundos virtuais”, com origem nos estudos sobre computação gráfica e com a incorporação de elementos dos videojogos e cenários da literatura fantástica, tem vindo a conhecer uma crescente utilização, sobretudo, na última década.
Para além do seu carácter lúdico e de entretenimento estas plataformas têm vindo a ganhar um importante espaço na estratégia de ensino à distância e na construção de comunidades em rede, num espírito de colaboração e criação de novos conteúdos.
As plataformas virtuais colocam desafios quanto à adopção de práticas comunicacionais, de distribuição de informação e de metodologias de investigação. O Second Life (SL), tem sido alvo da atenção de um grupo dedicado de educadores e profissionais de informação, cujo trabalho exploratório tem vindo a ser realizado de forma consistente e empenhada ao longo destes últimos quatro anos, no espírito da Biblioteca 2.0.
Mais de um milhar de profissionais de informação em todo mundo tem vindo a utilizar de forma consistente e empreendedora as potencialidades desta plataforma, trazendo para o ambiente virtual extensões dos seus serviços e produtos, muitos com apoio institucional – através de bibliotecas de diferentes tipologias e Universidades. De igual forma, o SL tem sido utilizado como uma importante ferramenta de desenvolvimento, formação e criação de redes profissionais, sendo terreno fértil para a experimentação e investigação no domínio da informação.
A comunidade de profissionais de informação no SL tem vindo a tomar forma ao redor de um arquipélago de informação denominado Info Island e cuja gestão é, neste momento, assumida por um grupo de voluntários da Community Virtual Library, embora existam outros projectos realizados por outros grupos de interessados fora desta esfera.
Esta nova cultura digital, caracteriza-se pelo crescimento de projectos de “humanidades” digitais colaborativas, que levantam alguns desafios e questões na nossa área profissional, nomeadamente ao nível da aprendizagem destas ferramentas, da sua aplicabilidade, ao nível da recolha, avaliação e organização destes conteúdos e consequentemente da sua preservação.

Conteúdos para dispositivos móveis: uma oportunidade para as bibliotecas
Pedro Príncipe

A mudança que a utilização dos novos recursos web e dispositivos móveis está a provocar nas atitudes das pessoas face à informação é marcante. As novas formas e métodos de acesso à informação, à cultura e à aprendizagem, a proliferação dos meios e plataformas digitais de comunicação e o crescimento e acesso generalizado à internet, às ferramentas de web, em particular às redes sociais, marcam estas alterações no perfil dos utilizadores das bibliotecas e serviços de informação e documentação.
Os dispositivos móveis revelam-se cada vez mais como uma oportunidade para as bibliotecas. A assumpção da oferta de novos serviços e conteúdos móveis amplifica a acção das bibliotecas e pode atingir novos públicos, junto dos quais se podem afirmar como serviços de valor acrescentado e relevantes para a vida académica, profissional ou social dos utilizadores.
Propõe-se reflectir no modo como as bibliotecas se estão a preparar para assegurar que os seus serviços e recursos web fiquem devidamente acessíveis em dispositivos móveis, e em que aplicações se deve investir para que a internet móvel se afirme como o próximo passo para as bibliotecas. Valerá ainda a pena questionar se as bibliotecas e serviços de informação e documentação em Portugal estão conscientes desta nova oportunidade de intervenção.

Serviços de Referência e In(formação) 3.0 em tempos de Web 2.0: novas perspectivas
Maria José Amândio

Na presente comunicação pretende-se abordar os domínios das literacias de informação e respectiva articulação com os serviços de referência. Ambas as áreas acompanham os avanços tecnológicos, sendo importante analisar em que medida as mudanças potenciadas pelas tecnologias da comunicação alteram os comportamentos dos nossos utilizadores, suscitando novas necessidades de informação e de aprendizagem. Os programas de formação e aprendizagem das Bibliotecas, entre outros aspectos, contribuem para melhorar as condições de acesso e o uso dos serviços de informação na era digital. A aposta no desenvolvimento das competências de informação ou dos media (acesso, selecção, avaliação, análise crítica e comunicação) abrange distintos meios de comunicação que impregnam o nosso dia-a-dia, como a televisão, cinema, rádio, internet ou meios impressos.
Assim, em tempos de Web 2.0 e de processos de aprendizagem em rede, tudo aquilo que sabemos é muitas vezes colocado em causa. Esta instabilidade pode ser um motor para a mudança e a inovação. E nessa linha, sobretudo na era da Web 2.0, é importante que as bibliotecas continuem a demonstrar o seu valor e que consigam diferenciar-se da concorrência a partir de uma cultura de informação assente na inovação e criatividade. Daí que seja importante que procurem alcançar bases sólidas na utilização das ferramentas de participação e colaboração 2.0. E isto vai, sem dúvida, colocar em causa métodos de trabalho enraizados e rotinas estabelecidas. Mas, simultaneamente, o estímulo à criatividade, vai permitir-nos avançar.
A finalizar, apresenta-se uma breve introdução ao cenário dos Serviços de Referência e In(Formação) em ambientes Web 3.0, como preparação para aquilo que será o futuro. O desenvolvimento da Web semântica vai alterar os seus modelos e conceitos de funcionamento na medida em que aquela “não é uma Web separada, mas sim uma extensão da actual, onde a informação é dada com um significado bem definido, permitindo melhor interacção entre os computadores e as pessoas que, cada vez mais, trabalharão em colaboração” (Berners-Lee, Hendler e Lassila, 2001).

Catálogo 2.0 : nascido na Biblioteca, criado pela Comunidade
Filipe Bento

Na sociedade actual, em que os serviços Web 2.0 são omnipresentes, quer pelo seu número e funcionalidades oferecidas, quer pelo elevado de adesão às mesmas (transversalmente a todos os tipos de utilizadores), já não se questiona a importância da sua adopção pelas Bibliotecas. Pode-se e deve-se contudo questionar como as promover e manter, de modo a potenciar a missão da Biblioteca como elemento enriquecedor da Comunidade que serve, explorando as sinergias resultantes das interacções associadas às actividades, sejam elas pró-activas ou passivas, junto da Comunidade (dando e recebendo da mesma). Neste processo não se deve descorar a componente empírica da análise de como esses novos serviços afectam as rotinas dos utilizadores, de modo a os adaptar para que tenham o máximo efeito positivo possível.
Algumas soluções, comerciais ou OpenSource, oferecem já componentes Web 2.0 no cenário da descoberta de informação. Estes componentes e o ambiente participativo e colaborativo associado ao seu uso podem ajudar no enriquecimento de sistemas de pesquisa e recuperação de informação, promovendo a Inteligência Colectiva pela partilha do conhecimento e avaliando os recursos encontrados, de modo a que os utilizadores seguintes, ao efectuarem uma pesquisa semelhante, obtenham em primeiro lugar os resultados mais pertinentes (ciclo “Procurar > Encontrar > Avaliar > Compreender > Partilhar”). Se incluirmos nesses sistemas uma componente de agregação de conteúdos, preferencialmente usando algoritmos inteligentes de recuperação de informação relacionada, pode-se dotar os utilizadores de um ponto de pesquisa rico em conteúdos, quer por ser um agregador de várias fontes, quer pela sua componente participativa/colaborativa, com possíveis mais-valias na criação e identificação de comunidades de utilizadores com interesses comuns.
Avança-se esta base para um novo modelo de sistemas de descoberta de informação como um meio eficaz das Bibliotecas de Ensino Superior desempenharem o novo papel que Bolonha atribui às mesmas - espaço complementar de aprendizagem informal, facilitada socialmente pelos seus utilizadores, potenciando a descoberta e partilha de informação, tendo especial atenção para alguns aspectos concretos e pragmáticos, como por exemplo o facto de no cenário das Bibliotecas de Ensino Superior, mais do que efectuarem pesquisas individuais, os utilizadores pesquisarem em comunidade.
Neste cenário retoma-se o Catálogo Bibliográfico (OPAC) como elemento central no sistema, elegendo-o como fonte principal da pesquisa, complementando os registos deste com informação complementar de outras fontes e registos de outros acervos, repositórios ou bibliotecas digitais da Instituição, assim como de fontes externas, quando tal é relevante, possível tecnicamente e permitido pelos detentores das mesmas. De notar que esta eleição visa terminar o paradoxo resultante do facto das Bibliotecas terem sabido se adaptar às novas necessidades dos utilizadores, e muitas vezes antecipar as mesmas, mas sempre terem excluído o Catálogo desta equação, permanecendo este estático, inalterado.
Por outro lado, e até ao presente, o Catálogo continua a ser mais uma ferramenta de pesquisa, para quem sabe exactamente a(s) obra(s) que pretende localizar ou tem uma noção mais ou menos exacta dos termos a usar. Trata-se portanto mais de uma ferramenta de localização de exemplares do que propriamente de uma de ajuda na descoberta de informação. Adicionalmente, com os motores de pesquisa na Web a elevaram as expectativas dos utilizadores para um grau nunca antes visto, os hábitos de pesquisa mudaram. Os novos utilizadores do Catálogo tentam transpor para este ambiente de pesquisa, mais normativo, as estratégias de pesquisa que estão habituados a fazer na Web. Serviços como o Google trouxeram para a Web uma elevada flexibilidade na maneira como a pesquisa pode ser efectuada. Os utilizadores habituados a “googlar”[1], quando necessitam de pesquisar no Catálogo, acabam por se ver confrontados com uma incompatibilidade cognitiva entre a competência de pesquisa flexível e rizomática da Web e a pesquisa mais estruturada e normativa a que o OPAC obedece. Dada essa latente incompatibilidade, os utilizadores são obrigados a adquirir novas competências de pesquisa, se quiserem pesquisar com alguma eficácia no Catálogo.
De notar que, mesmo perante a disponibilização de portais Web ricos em conteúdo, zelando pela sua constante actualização e adequação às necessidades dos seus utilizadores, o Catálogo retém de certa forma o papel de cartão de visita, ponto de entrada por excelência da Biblioteca, embora diminuído nos últimos anos, perante a comentada falta de adequação às necessidades actuais dos utilizadores.
E é porque esta urge ser feita, e pelo facto se a mesma for bem sucedida todas as das restantes fontes presentes no sistema também o serão, dado que são mais propícias à aplicação de serviços Web 2.0 sobre as mesmas (como alguns sistemas de partilha de informação de certa forma já o mostraram), que se elege o Catálogo como ponto central nesta intervenção, elemento central desta “revolução”. Este desafio torna-se ainda mais interessante, e vital de ser superado, se tivermos em conta que o Catálogo é o que tem um maior caminho a percorrer neste novo paradigma em que utilizadores têm acesso a sistemas externos, de um modo acesso quase permanente e integrado nos seus hábitos de pesquisa de informação. É impossível negar o facto destes sistemas serem de grande valia, pelo seu elevado número de recursos e valor dos mesmos, e pela sua assinalável facilidade de utilização, obtendo-se a informação desejada de um modo eficaz, por se obter exactamente a informação pretendida, e eficiente, por ser feita de um modo rápido, sem grande esforço cognitivo. Contudo as Bibliotecas apurando o que sempre fizeram, acrescentar valor aos recursos que disponibilizam aos seus utilizadores (pela selecção e indexação de obras/recursos, por exemplo), cultivando uma cultura de descoberta, interna e junto dos seus utilizadores, podem oferecer informação e serviços de recomendação que esses serviços externos, por serem mais generalistas e não adaptados a uma determinada comunidade, não podem oferecer. Nesta visão, o Catálogo aberto a contribuições da Comunidade, modelo “2.0”, usando as mesmas para melhorar a experiência da descoberta de informação, tem um papel primordial a desempenhar.

[1] Expressão/”verbo” usado cada vez mais frequentemente para caracterizar este tipo de pesquisa.

Conteúdo gerado pelos utilizadores e “inteligência das multidões”: desafios para as bibliotecas
Paulo Leitão

Um dos aspectos que claramente distingue a Web 2.0 face à Web 1.0 é o papel que os internautas desempenham na relação que estabelecem com a rede. De meros pesquisadores/ consumidores de informação foram paulatinamente passando a produtores, assistindo-se a uma verdadeira explosão de conteúdos gerados pelos utilizadores. Esta alteração levou já alguns a designar os novos internautas de “prosumers” (produtores/consumidores).
Os conteúdos gerados por estes utilizadores, explícitos ou implícitos, assumem as formas mais diversas, mais ou menos estruturados e com maior ou menor valia. A validade do conteúdo produzido é, aliás, um dos aspectos que mais tem sido objecto de crítica, sendo visto por alguns autores mais radicais como um verdadeiro perigo para as sociedades contemporâneas. Por outro lado, muitas ferramentas e plataformas da Web 2.0 têm vindo a aproveitar estes conteúdos, estabelecendo formas de validação e controlo comunitários, dando assim expressão à ideia de que estes sistemas de informação se tornam cada vez melhores à medida que mais internautas vão contribuindo. Esta “inteligência das multidões” ou inteligência colectiva parece ser, assim, um dos principais motores do desenvolvimento da Web 2.0.
Perante este cenário, qual a atitude das bibliotecas? Devem abrir os seus produtos de informação, o catálogo por exemplo, à participação dos seus utilizadores? Devem construir, de forma comunitária, novos produtos de informação? Ou devem, pelo contrário, recusar este tipo de intervenção dos utilizadores, assumindo um papel de guardiãs/difusoras da informação tradicionalmente validada?
Esta comunicação, a partir de uma revisão da literatura relevante sobre o tema, pretende reflectir sobre as questões levantadas, identificando os principais problemas e oportunidades para as bibliotecas
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Uma estratégia para a Web 2.0 no contexto das Bibliotecas e Arquivos
Paulo Jorge Sousa
Na presente comunicação apresenta-se um breve enquadramento dos sistemas de informação, Arquivo e Biblioteca, à luz da Ciência da Informação, de modo a perspectivar uma visão sistémica onde se emoldura uma pequena framework (ou plano/política) de gestão global das redes sociais nesse contexto.
Com as redes sociais, estas organizações vêem-se tentadas a abrir mais uma porta para comunicar com os seus utilizadores. Contudo, colocam-se duas grandes questões:
- Como armazenar e gerir toda a Comunicação Institucional (relações externas, serviços online, política de informação, marketing de produtos e serviços, etc.) que resulta da interacção com os utilizadores?
- Como integrar esta informação nos Sistemas de Informação Municipais ou outros?
Assim, propõe-se a reflexão de um conjunto de variáveis que devem ser levadas em consideração, principalmente, na gestão de ferramentas sociais pelas Bibliotecas e Arquivos, uma vez que ao potenciar o uso efectivo das mesmas, possibilitará o seu acesso e uso mais eficiente e eficaz.

 

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