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(Livrarias, Inquisição e D. Quixote em Évora)
Nos dias 2 e 3 de Março de 1606 (cumpriram-se há pouco 4
séculos) a Inquisição vasculhou as casas de seis
livreiros que à data existiam em Évora. Foram então
apreendidos 156 exemplares de obras que ficaram à guarda
dos próprios livreiros, impedidos de as vender e
obrigados a delas dar conta sempre que sobre tal
questionados.
De entre os 14 títulos identificados o D. Quixote (1ª
edição no ano anterior) surge destacado com 63 exemplares
(40,4 %), dos quais 50 no mesmo livreiro.
Quatro séculos volvidos, Évora, cidade universitária
(Património da Humanidade) está reduzida a 4 livrarias:
para uma população que triplicou (de 15.000 para 46.000)
temos menos duas que no início do séc. XVII. Desde 1993
que fecharam as portas 6 livrarias na cidade, das quais 3
no passado ano.
Mais do que comemorar o assalto à razão, esta efeméride
propicia uma reflexão em diversas vertentes. Com
naturalidade, se passa do Livro, à Inquisição e desta à
Memória.
Mais do que recordar a ignomínia – João Paulo II já o fez
pedindo perdão pelos excessos - importará resgatar do
esquecimento ( da sua 2ª morte ) quantos aqui em Évora (
mas não só ), sofreram a intolerância na carne e no
espírito.
Com esse propósito, a Biblioteca Pública de Évora promove
uma iniciativa para o próximo dia 10/11/2007. Subordinada
ao tema “INTOLERÂNCIA e OBSCURANTISMO” terá lugar, nas
suas instalações, uma sessão pública que contará com a
participação de estudiosos desta temática, subdividida
pelos seguintes quadros: D. QUIXOTE / MEMÓRIA / O LIVRO /
A INQUISIÇÃO.
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