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Literacia, Sabedoria,
Biblioteca
Maria Teresa Calçada
As necessidades de aprendizagem no mundo contemporâneo diferem, e muito,
das sentidas apenas há duas décadas, não sendo possível dissociá-las das
consequências das tecnologias da informação e da comunicação, na
construção do conhecimento e numa outra organização social, económica,
cultural e do trabalho, que é substancialmente diferente nas suas
exigências e complexidades.
Os comportamentos face à informação e ao conhecimento das crianças e dos
jovens evidenciam outras atitudes e requerem da parte dos profissionais da
educação e da informação uma outra abordagem, que integre, por um lado as
competências daqueles e, por outro, combata as suas fragilidades,
nomeadamente no modus operandi no acesso e uso dos conteúdos.
A literacia ou as multiliteracias exigidas para aprender e para aprender
ao longo da vida têm e devem ser adquiridas precocemente e durante o
percurso escolar, convocando para tal metodologias de pesquisa e de
investigação que resultem do trabalho colaborativo da(s) biblioteca(s) com
todos os elementos da escola, viabilizando-se, assim, a construção do
saber.
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Biblioteca, educação e literacia informacional em Portugal: resultados
do projecto eLit.pt
Viviana Fernández Marcial
Armando Malheiro da Silva
O presente trabalho contém uma primeira parte dos resultados de um
projecto da investigação, A literacia informacional no Espaço Europeu do
Ensino Superior: estudo da situação das competências da informação em
Portugal(eLi.pt), financiado pela Fundação para a Ciência e a
Tecnologia, em que se estuda o nível de competências informacionais dos
estudantes Portugueses da universidade e de ensino secundário. Nesta
parte inicial se oferecem os dados do inquérito aplicado a uma amostra
composta por 655 estudantes matriculados em instituições de ensino do
Porto. Destes, 570 são alunos do ensino superior, enquanto que os
restantes 83 frequentam o secundário. Tendo em conta as especificidades
de cada um destes grupos de ensino, foram construídas duas versões do
inquérito, pensadas propositadamente para os dois diferentes contextos
abordados. Nestes primeiros resultados, deparamo-nos com um nível muito
deficiente de competências cognitivas quanto à selecçao, pesquisa,
elaboração e filtragem de informação. Embora o modelo de eLit.pt, em
elaboração através do actual projecto de pesquisa, vise mostrar e
operacionalizar a articulação das competências cognitivas com o tipo de
comportamento informacional determinam exibido, em Portugal, pelos
estudantes universitários, o certo é que a aproximação ao problema
obriga a pensar na carência duma política educacional e bibliotecária/informacional
que enquadre melhor e estimule uma melhor performance por parte dos
estudantes. Tal política tem de ir mais além do que a mera e limitada
actuação das bibliotecas escolares e universitárias e da mera
disponibilização de recursos electrónicos.
Da Branca de Neve ao Wall-E: Experiências de literacia(s) e novas
modalidades de aprendizagem na Rede de Bibliotecas Municipais de Oeiras
Maria José Amândio
Na presente comunicação realiza-se uma
retrospectiva das experiências da Rede de Bibliotecas Municipais de
Oeiras (RBMO’s) em torno dos serviços direccionados para a promoção das
literacias de informação e modalidades de aprendizagem com base no
potencial das tecnologias da informação e comunicação (TIC) e
ferramentas da Web 2.0.
Da Branca de Neve ao Wall-E, procura a analogia com a abrangência
conceptual que compreende, desde as designadas literacias convencionais
e elementares, associadas ao clássico conto de fadas, até à
multiplicidade de literacias inerentes aos ambientes digitais e ao
incentivo à criação textual, hipermédia e multimédia, simbolicamente
representadas na história de animação que perspectiva o futuro da
humanidade em 2700. Dois mundos complementares na construção do
imaginário e consolidação das aprendizagens.
As experiências levadas à prática pela RBMO’s, consubstanciam-se em
acções de formação na área das TIC, ao nível da iniciação, e na
implementação e acompanhamento de projectos destinados ao público
infantil. Dinâmicas que contribuem para o planear de um programa
municipal estruturado segundo contornos de promoção das múltiplas
literacias e metodologias que potenciem a capacidade de pesquisar,
recuperar, explorar, validar, organizar e utilizar a informação, e
cumulativamente, de a comunicar, de onde se destacam os projectos
Infoliteracia, Oeiras Internet Challenge, Enigma e Conversas na Aldeia
Global.
A concluir, perspectivam-se cenários de expansão e propostas de
princípios orientadores aplicáveis a programas de promoção das
literacias de informação nas bibliotecas públicas, com extensão e
disseminação nas bibliotecas escolares.
Formar para as Literacias
Carolina Cabaças
Natércia Duarte
A Literacia de informação constitui uma competência chave nos nossos
dias. Vivemos mergulhados num mundo de informação. A informação está
presente em todas as nossas actividades e apresenta-se hoje sobre as
mais variadas formas: escrita, visual, sonora, multimédia, etc. A
literacia de informação constitui-se, deste modo, como uma espécie de
multi-literacia, onde se cruzam diferentes conteúdos, competências,
valores e atitudes, para cujo desenvolvimento pretendemos contribuir.
A Biblioteca da EB1 de Castro Verde tem desempenhado um importante papel
ao longo dos últimos anos na dinamização de projectos orientados para a
formação global dos alunos, através de um trabalho articulado com os
professores/educadores no âmbito da Área de Projecto.
Após dois anos de desenvolvimento do Projecto “Vamos contar … História”,
que abordou essencialmente a temática da História de Portugal,
considerou-se pertinente complementar o mesmo com um novo projecto,
desta vez orientado para o estudo do património natural, histórico e
cultural português, uma vez que o seu reconhecimento e valorização é
actualmente uma das competências gerais do 1º Ciclo do Ensino Básico,
estando presente ao longo dos quatro anos de escolaridade.
A escola desempenha actualmente um papel determinante na construção de
novas mentalidades, mais abertas, mais dialogantes, imprimindo dinamismo
através da acção, à construção de novos saberes. Pressupõe o
desenvolvimento, nos alunos, de capacidade de análise, reflexão,
compreensão da multiplicidade da informação a que têm acesso,
contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis e intervenientes,
capazes de interpretar criticamente a realidade do mundo actual. Como
tal, pensou-se ser de extrema importância debruçarmo-nos sobre o estudo
do património natural, histórico e cultural português garantindo uma
articulação com todas as áreas do saber, cuja transversalidade se torna
fundamental na inovação da aprendizagem escolar, uma vez que decorre da
convicção de que a função do professor, enquanto agente construtor de
conhecimento se deve orientar pela procura de soluções pedagógicas
inovadoras.
A biblioteca escolar ao serviço da aprendizagem
Carlos Dinis Pinheiro
Diversos estudos mostram inequivocamente que as Bibliotecas Escolares
podem contribuir de forma clara para o ensino e a aprendizagem,
podendo-se mesmo estabelecer uma relação entre a qualidade do trabalho
na Biblioteca e os resultados escolares dos alunos.
A transformação das bibliotecas de centro de recursos em centros de
aprendizagem exige um esforço conjunto envolvendo toda a comunidade
escolar e um novo modelo organizacional que reposicione a biblioteca na
escola, enquadrando-a nos Projecto Educativo e Curricular de Escola e
integrando-a transversalmente no Currículo, através da planificação,
execução e avaliação conjunta de actividades pensadas no quadro do
Projecto Curricular de cada turma e do Plano Anual de Actividades da
escola.
A assumpção deste papel passa, necessariamente, por uma maior
articulação entre a BE e o Conselho Executivo, o Conselho Pedagógico, os
Departamentos curriculares, os Conselhos de Docentes e de Turma, os
professores e a comunidade educativa, em geral. Pressupõe ainda a
necessidade de abandonar a forma tradicional de gerir, organizar e
disponibilizar a informação e a adopção de um modelo de literacia que
transforme problemas de informação em soluções de conhecimento.
Por outro lado, a emergência de novos ambientes e formas de aprendizagem
colocam às bibliotecas e aos professores novos desafios e novas
responsabilidades.
Às potencialidades e requisitos do novo contexto devem corresponder
estratégias que, na prática – através de filosofias de funcionamento
renovadas e mais flexíveis, de novas competências e de novos serviços –
permitam diversificar e reforçar o campo de acção da biblioteca,
enquanto mediadora de conhecimento e instrumento de aprendizagem.
BIBCOM.Évora - cooperar, divulgar, aprender
Isabel Fernandes
Fernando Gameiro
A promoção e a visibilidade junto da comunidade das boas práticas que
proliferam nas bibliotecas cooperantes, ou mesmo na divulgação de
iniciativas ou de produtos, tem-se revelado muito difícil para além das
comunidades escolares restritas. O projecto BIBCOM – Promover e integrar
as bibliotecas escolares na comunidade – premiado na Candidatura de
Mérito da Rede de Bibliotecas Escolares 2008 -, propõe-se ultrapassar
estes obstáculos apostando em duas áreas de acção.
Em primeiro lugar criará uma infra-estrutura informática física que
suporte uma plataforma electrónica de referência, permitindo a
colaboração efectiva entre escolas que chegam a distar da biblioteca da
escola sede mais de 30 km.
Em segundo lugar concentrará num portal web os sítios, os catálogos, e
as actividades estruturantes desenvolvidas pelas bibliotecas, promovendo
a troca de experiências e apostando na autoformação.
O projecto BIBCOM centra-se no uso da informação, com produção de
materiais dirigidos ao apoio e à aquisição de competências em literacia
da informação. Ao congregar três agrupamentos e uma escola secundária
não agrupada, envolve mais de três dezenas de instituições de ensino e
perto de cinco milhares de alunos.
O impacto do projecto terá por esteio a criação de uma comunidade
virtual dirigida para a formação de equipas que operam com bibliotecas e
informação. Os resultados da cooperação serão potenciados com base num
programa de formação dedicado, em processos de divulgação estruturados,
bem como através da institucionalização de um portal web de referência.
Estão previstas rotinas de divulgação de produtos e actividades
programadas, comuns às bibliotecas que integram o projecto. |