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Tal como havia acontecido no período da Restauração da Independência, em que as alterações sociopolíticas sofridas pelo país tinham ocasionado o surgimento das Gazetas e Mercúrios, também as transformações sociais ocasionadas pelas lutas Liberais e consequente instituição da Monarquia Constitucional, originaram uma expansão da imprensa periódica. O jornal assumiu o papel de divulgador dos ideais das partes em confronto, por um lado, e maioritariamente, dos ideais liberais e das mudanças sociais, económicas, politicas e culturais estruturais que estes representavam, e por outro, por interesses elites em declínio, a nobreza e sobretudo o clero.
Começaram a surgir jornais locais, reflexo de uma cultura burguesa que se afirmava e que se assumem como veículos de mobilização sociopolítica, de divulgação e defesa dos interesses de uma região. Évora não escapou, na segunda metade do Séc. XIX, à propagação das publicações periódicas locais, que podiam ser de âmbito político, cultural, satírico, académico, entretenimento ou desportivo. Estes jornais, para além do carácter noticioso, sobretudo com notícias de interesse local, desempenhavam uma função recreativa incluindo historietas, folhetins, anedotas, charadas e jogos. Nestes jornais locais era frequente o recurso dos colaboradores a pseudónimos, em especial nos jornais ou secção de carácter satírico, revelando o receio de identificação, mais fácil numa sociedade pequena e fechada.
Já durante o período da I República, a divisão do Partido Republicano dá origem à criação de jornais políticos ligados a cada uma das facções e que se assumem como “órgão de divulgação” das ideias e interesses defendidos por cada uma delas. Por outro lado, surgem vários periódicos operários, ligados aos sindicatos e à luta dos trabalhadores por melhores salários e condições de trabalho, que retrataram a vida das classes mais baixas. Ainda assim havia um grande entrave à propagação de jornais deste tipo na medida em que boa parte do proletariado não sabia ler, pelo que eram geralmente publicações de curta duração.
Com o advento da ditadura, o jornalismo passa a veicular a ideologia do Estado Novo abandonando os demais ideais e temas políticos. Passa assim a prevalecer temáticas como o turismo, a cultura, a religião, a propaganda regional e os jornais escolares.
 

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