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MÃOS DADAS CONTRA O RACISMO
Junho/97

OPINIÃO

Vanda Umbelino

O que é o racismo?
Não é fácil dar do racismo uma definição que obtenha um acordo. Isto é pelo menos espantoso, a propósito de um assunto abordado tantas vezes e de tantos modos, dificilmente se compreendem as razões desta dificuldade quando nos damos conta de que a base do racismo, quer dizer, o conceito de raça pura aplicada aos homens, está mal definido. Por outro lado, o racismo, não é uma teoria cientifica, mas sim, um conjunto de opiniões, ainda por cima pouco concordantes. Para além do mais estas opiniões, longe de decorrerem de comprovações objectivas, exteriores aqueles que as exprimem, constituem a justificação de atitudes e de actos, eles próprios motivados pelo medo do outro e pelo desejo de os agredir, afim de se afirmar em prejuízo deles.
Enfim, o racismo aparece como um caso particular de uma conduta mais geral, a utilização de diferenças biológicas mas que poderiam ser psicológicas ou culturais.
Todos os dias os meios de comunicação social transportam até às nossas casas exemplos de discriminação racial que acontecem nos mais variados pontos do globo, não só em países pouco desenvolvidos culturalmente mas sobretudo naqueles onde o grau de civilização atingiu um ponto que levaria a supor que esses fenómenos estariam de algum modo que ultrapassados, reflectindo deste modo que apesar de toda a nossa evolução cientifica, económica e cultural, não conseguirão ultrapassar antigos preconceitos e fobias e que mais que do que uma revolução económica aquilo que é necessário é uma mudança em termos de mentalidades que torne o respeito pelo diferente, um dado adquirido e um valor a preservar.


Nalini Seik

Temos que livrar-nos de preconceitos tais como: «amar é uma coisa antiga»; será que esqueceram do amor que os liga para sempre ao pai, à mãe, à madrinha, aos amigos e irmãos. São laços muito fortes que jamais se romperá, nem chuva, nem granizo, nem vento, nem mesmo a morte (que tem o dom da separação) o pode fazer pois esses laços são tão fortes como uma árvore.
O amor irá acompanhar-nos para o resto da nossa vida portanto é necessário amar. Esta é uma das bases para saber amar; saber escutar; saber respeitar.
Ouvir! Todos ouvem mas poucos ou ninguém (tomando a liberdade de supor "ninguém") sabem escutar, é bom saber que estão a escutar-nos, que se interessam por nós, sentimo-nos menos insignificantes. Saber escutar é importante, uma virtude que todos têm mas poucos a exploram. Para saber escutar é preciso escutar com o coração e a razão. Esta é uma das bases para saber ouvir, saber amar, saber respeitar.
Respeitar? Nem por sombras, queremos ouvir, só ouvimos ou falamos quando nos convém, simplesmente quando nos dá na cabeça de impressionar os outros, enfim passamos a ser os bons e os outros os maus quando na verdade nunca tivemos respeito pelos outros e quando falo de respeito, não é só sermos educados, simpáticos ou até mesmo atenciosos com os outros , o respeito está quando não violamos a opinião, valores, culturas, personalidades nesta questão também incluído ajudar o próximo. Esta é uma das bases para: saber respeitar, saber amar, saber ouvir.
Amar é uma palavra que está tão vulgarizada tão ridicularizada é muito injusto que uma palavra bela tenha perdido toda a beleza para alguns.
Esta palavra não é, não foi, e nunca será uma palavra feia de ouvir e só pensa assim quem nunca respeitou porque o "amar" exige responsabilidade, exige "gostar de mim".
Quando todos começarem a construir este caminho poucos serão os conflitos raciais pois todos terão a mesma oportunidade na vida e poucos acabarão por pagar os erros dos outros.
Será assim tão difícil respeitar o próximo?

MÃOS DADAS CONTRA O RACISMO - página 7 MÃOS DADAS CONTRA O RACISMO - 1ª página Centro de Jovens Cruz da Picada/ADBES

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