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Junho/97
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EXCLUSÃO SOCIAL
(continuação da página 1)
A problemática que lhe está associada é , sem duvida muito complexa e envolve muitas variáveis. Muitas vezes não desejadas, as crianças sofrem pelos problemas dos adultos - falta duma boa habitação, duma boa remuneração, falta de tempo, de carinho e de valores numa sociedade em que se vive em ritmo acelerado e que muitas vezes, se esquece de dar tempo às crianças. Esta é a Exclusão familiar, que atinge muitas famílias "normais", em que há tempo para conviver, conversar sobre os problemas, projectar o futuro em conjunto, no fundo, assegurar a integridade da família.
Daí que muitos adolescentes se queixem da falta de diálogo e se sintam "excluídos" das suas famílias. E, como a adolescência é uma fase de intensa afirmação pessoal, a sua procura lava muitos jovens a enveredarem por caminhos solitários (ainda que cheios de falsos amigos) acabando por se constituir um círculo do qual não se consegue sair - quanto mais tentam sobressair para serem aceites, mais são excluídos e marginalizados pela sociedade que a auto-exclusão social é procurada e desejada.
Outro problema de Exclusão são os deficientes. Apesar de haver famílias que os defendem e protegem, outras há que os repudiam e os abandonam, quer porque a família carece de recursos económicos, quer porque carece de juízos valorativos saudáveis.
Acresce a este tipo de Exclusão familiar, uma exclusão profissional que impede muitos deficientes de serem integrados em serviços que estão adequados às suas capacidades, ainda que estas estejam limitadas. É a "falta de disponibilidade" de muitas empresas, que limita a inclusão social, perfeitamente realizável de tantos deficientes, no mercado de trabalho, garantindo-lhes assim um certo grau de independência económica, de que tanto necessitam.
Ainda outro tipo de exclusão familiar ocorre com indivíduos idosos, cujos "préstimos sociais" já "não interessam". Sem condições de se manterem em casa, são forçados a alojar-se em lares de 3ª idade, muitos deles sem condições suficientes para garantir uma boa qualidade de vida ao idoso.
Pesa sobretudo o abandono a que foram votados pela sua própria família, obrigados a viver no meio de estranhos, ensimesmados e retraídos, pagam a factura de não terem recursos ou uma família que os receba.
Muitos são os excluídos na nossa sociedade. Por formas que muitas vezes não imaginamos sequer! É que as formas de discriminação e exclusão são muito variadas e estão graduadas numa escala de gravidade crescente! E, se algumas formas não bastam para afastar um indivíduo da sociedade em que vive, podem muitas vezes, exclui-lo da sua família ou do seu emprego.
À medida que um indivíduo se vai des-socializando cada vez mais, vêem-se desaparecer muitos dos princípios e valores que de si fazem parte. É notória sobretudo a falta de humanismo que gera, inevitavelmente, mais falta de humanismo - por isso, o "excluído" está carregado de preconceitos sociais - porque o "excluído", o "exilado social", ao tornar-se menos humano, está a contribuir para que a sociedade seja menos humana para com ele e o isole cada vez mais.
Outro tipo de exclusão, mais subtil, se levanta, por vezes - a exclusão do grupo. O homem é um ser de hábitos gregários, para quem a falta de socialização representa uma lacuna importante (pelo menos para alguns indivíduos).
O perigo consiste na troca de consciência individual e da personalidade do grupo, que passa assim a alienar os comportamentos dos indivíduos e a manipulá-los.
O medo da exclusão do grupo "obriga" à manutenção de alguns comportamentos anti-sociais, que são muitas vezes, responsáveis por uma forma diferente de exclusão, mas que não deixa de ser. Assim, muitas vezes um indivíduo acha-se plenamente integrado no grupo e completamente excluído da sociedade. Isto é, especialmente verdade na adolescência, onde a necessidade de afirmação e integração em grupo, implica muitas vezes que o jovem perca a sua liberdade de opção, para ganhar a aceitação no grupo.
Outro problema que se levanta é o da integração de um "excluído" na sociedade.
Todos sabemos que a integração de um indivíduo "excluído" é difícil, e por vezes, impossível nas condições anteriores à sua exclusão.
A recuperação passa, não só por fornecer os meios e o "perdão", mas também pela dádiva da matéria-prima - um carácter mais sólido e mais humano, responsável e criteriosos - a partir do qual se possa reconstruir, de novo, o indivíduo, reintegrando-o em sociedade.
Depois, há outros tipos de exclusão - correntes, mais escondidas e de certa forma bastante importantes - a exclusão dos que não têm a mesma classe social ou mesmo status económico.
É triste pensar-se que a pobreza possa ser um critério de exclusão em muitas sociedades ditas civilizadas (e especialmente nestas, por aí se verificarem maiores discrepâncias económicas) e que para tantas pessoas esta representa um estigma social do qual não se conseguem libertar durante toda a vida.
Mas, no fundo, o pior é a associação que se faz da pobreza com um conjunto de comportamentos e acções, personalidades - tipo de conjuntos de valores, que por vezes, não corresponde à verdade.
A pobreza não necessita de mais exclusão - necessita de assistência. A assistência pode e deve ser feita, desde que com bases criteriosas.
Depois de tudo isto, é forçoso concluir que não se pode tipicar o "excluído", porque muitas vezes, o "excluído" somos todos nós, em alguma parte da vida, mais cedo ou mais tarde, na nossa vida em sociedade ou fora dela.
Relativamente aos valores considerados modelos ou arquétipos na nossa integração social, os valores diferentes são rejeitados. Assim se cria uma fronteira entre os que aceitam as normas e os que se lhes opõem de alguma forma, fronteira essa que assenta num conjunto de proibições, interdições e leis governativas.
Ao conjunto das regras normativas que nos regem, sobrepõe-se uma consciência.
A existência de uma consciência dignifica-nos e eleva-nos para além dos seres inferiores. Saibamos usá-la proveitosamente, para que incluídos no presente, não sejamos excluídos no futuro...
Palmira Caeiro
(Técnica Superior de Serviço Social)
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