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Caracterização
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Património
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Ermida de São
Brás

A Ermida de São
Brás, situada extra-muros no Rossio de São
Brás, foi mandada construir por D. João II,
no local onde já existiria uma pequena
gafaria provisória em madeira, erguida para
tratar dos doentes afectados pela peste que
assolou o país em 1479-80. O povo de Évora,
o rei e o bispo executor da obra, D. Garcia
de Meneses, mostravam assim a sua devoção
por São Brás, a quem se rezava habitualmente
aquando de uma epidemia. A obra, cuja
licença eclesiástica data de 7 de Setembro
de 1480, terá começado em 1482, e a ermida
já estava aberta ao culto em 1490 (ESPANCA,
Túlio, 1966). O monumento, projectado por
mestre desconhecido, é particularmente
inovador na utilização de um estilo
manuelino-mudéjar tipicamente alentejano,
com sucessão de volumes escalonados,
robustos e coroados por merlões, e inaugura
na cidade a utilização, depois largamente
divulgada em monumentos de todo o Alentejo,
de elementos arquitectónicos como os
contrafortes cilíndricos com coruchéus
cónicos (PEREZ EMBID, Florentino, 1955,
p.134). Juntamente com as igrejas dos Lóios
e S. Francisco, este templo marca a
introdução do tardo-gótico em Évora.
Erguida sobre
uma plataforma destinada a vencer um
desnível do terreno, a ermida tem fachada
principal com nártex aberto em três grandes
arcos ogivais apoiados em meias colunas de
alvenaria com capitéis vegetalistas,
enquadrados por poderosos torreões
cilíndricos ameiados. Neste pórtico terá
existido uma decoração mural com as armas e
o pelicano de D. João II, possivelmente
perdida nas obras suecssivas que o templo
sofreu (ESPANCA, Túlio, 1966). O corpo da
igreja, todo caiado, possui catorze
contrafortes cilíndricos, com os torreões do
pórtico, terminados num friso de merlões
chanfrados, e todos coroados por coruchéus
cónicos. A cabeceira é um corpo cúbico,
alargado lateralmente pelos volumes mais
baixos e muito estreitos das sacristias,
também ameiadas, onde se rasgam frestas
ogivais. Sobre a capela-mor ergue-se o
lanternim hexagonal, e no topo norte,
deitando para a sacristia, destaca-se o
campanário. De salientar ainda a sucessão de
interessantes gárgulas de granito, de
temática zoomórfica, ao longo do edifício.
No interior de
nave única, coberta por abóbada de volta
perfeita, existem vários painéis de azulejo
de padrão geométrico, em verde e branco,
ainda quinhentistas e de ressonâncias
mudéjares; os altares de talha dourada
setecentista, um de cada lado da nave, são
dedicados a São Romão e a Nossa Senhora das
Candeias. Na capela-mor, o retábulo também
em talha dourada enquadra uma escultura de
madeira do santo padroeiro do templo, em
edícula central. As pinturas são no geral
arcaizantes, de nítida influência flamenga e
interesse apenas regional, datáveis da
segunda metade de quinhentos, embora
respeitem a duas empreitadas distintas
Guarda-se no Museu Regional de Évora parte
do importante recheio de ourivesaria sacra,
de prata dourada, da extinta Confraria de
São Brás. Existe ainda algum mobiliário
setecentista nas dependências da igreja, bem
como uma pia de água benta, renascentista,
em mármore.
O templo sofreu beneficiações em 1573,
custeadas pelo Cardeal-Infante D. Henrique,
e constando basicamente de decorações murais
nas paredes e abóbadas da nave e execução do
retábulo de talha, mas as pinturas (e vários
altares) ficaram destruídos em 1663, por
ocasião dos bombardeamentos da cidade pelas
tropas castelhanas, particularmente
desastroso por a ermida se encontrar na
cintura defensiva do Rossio de São Brás.
Embora os trabalhos de restauro tenham
começado imediatamente, os últimos vestígios
das pinturas murais desapareceram nas
reformas camarárias de finais do século XIX
e início do século XX. Ainda hoje são
visíveis alguns vestígios de um friso de
esgrafitos, incluíndo emblemas manuelinos e
temas geométricos, ao longo do remate
superior da fachada, agora restaurada e
pintada de novo.
SML
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Fonte Nova

Em
terrenos outrora aforados ao escudeiro da
rainha D. Leonor, D. Luís Fernandes, existia
uma nascente medicinal muito aconselhada
pelos físicos e à qual o povo acorria com
frequência. Por essa razão, o Município
optou por construir aí a Fonte Nova do
Rossio, que começou a funcionar a partir de
Julho de 1794 (ESPANCA, Túlio, 1966).
Integrada num
pequeno jardim, a fonte compõe-se de paredão
fundeiro dividido por pilastras, que
terminam em fachos piramidais estilizados, e
que definem três secções, todas elas
rematadas por frontão de enrolamento. A
carranca antropomórfica, ao centro,
substituiu a original "(...) composta por
uma cabeça feminina de mármore, envolvida
por uma espécie de coifa segura lateralmente
com firmais, considerada da época romana"
(ESPANCA, Túlio, 1966), e que se encontra no
Museu Regional.
Sem manutenção
e muito isolada, a fonte acabou por sofrer
grande ruína, colmatada apenas em 1927, com
algumas intervenções de beneficiação,
conforme a lápide comemorativa que se
encontra na fachada.
(Rosário Carvalho)
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Chafariz do Rossio de São Brás

A origem do
Chafariz do Rossio de São Brás está longe de
ser consensual, e várias são as datas
apontadas para a sua construção. "(...) As
informações recolhidas apontam para o ano de
1592, a mando de D. Filipe II. Assim,
Augusto B. Elerperck, atribuí a sua
edificação ao monarca e à data mencionadas,
enquanto André de Resende afirma que já
existiria em 1573, indicando-a como parte
integrante da rede distribuidora das águas
de prata. Por outro lado, Túlio Espanca
considera que teria sido construída pouco
depois de 1604, pela Câmara Municipal da
Cidade. Finalmente o Padre Frederico da
Fonseca, refere a sua existência em 1728
(...)" (GUERREIRO, Madalena, 1999, p. 27).
No entanto, há
notícia da permissão concedida por D. Manuel
a um munícipe para a construção de um poço
no Rossio em 1497, mais tarde (c. 1501)
transformado em chafariz público, facto que
se pode relacionar com o Chafariz do Rossio
de São Brás, mas apenas no plano das
hipóteses (GUERREIRO, Madalena, 1999, p.
27).
O Chafariz
assenta numa escadaria circular constituída
por cinco degraus de granito, interrompidos
lateralmente por dois tanques rectangulares.
A taça superior, originalmente lobulada,
apresenta hoje a forma de um leque, com
curvas e contracurvas em movimento ondulado.
Ao centro do tanque, ergue-se uma agulha
piramidal sustentando uma esfera, sob a qual
irrompem as gárgulas primitivas. De facto,
uma descrição de 1651 que figura no Tombo
Municipal, refere que, nessa época, a água
caia da esfera situada no remate da pirâmide
central, pelo que era facilmente levada pelo
vento. Consequentemente, foram abertos os
quatro orifícios que se observam, mais
abaixo, no pedestal da pirâmide, por forma a
que a água corresse por aí.
(Rosário Carvalho)
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Monumento aos Mortos da I Grande Guerra

A ideia de
dotar a cidade de tal monumento partiu de um
grupo de militares e civis, entre os quais
se contava o General Óscar Fragoso Carmona
(na época Comandante da Região Militar de
Évora e posteriormente Presidente da
República) e o Governador Civil do Distrito,
Jorge de Barros Capinha, tendo sido mais
tarde formada uma Comissão Executiva para
dar seguimento aos planos.
A Comissão
Executiva era composta pelos majores Manuel
da Silva Martins, Artur Augusto Correia
Matias; capitães Luís de Camões, Caetano
Manuel Cordeiro Rosado, António Monteiro,
Emídio José Curjeira de Carvalho; e tenentes
Raul Martinho, José António Pombinho Júnior,
Luís Freire e José Fernandes.
Após alguns
anos de recolha de fundos através de festas
e outros eventos lúdicos, bem como de
donativos o projecto e a maquete foram
apresentados e debatidos na Câmara Municipal
de Évora em 1928, tendo-se designado como
local de implantação a Praça Joaquim António
de Aguiar. Face à despesa avultada a
efectuar na Praça escolhida e tendo em conta
esta ter sido já alvo de avultado
investimento, a Câmara Municipal decidiu que
o monumento deveria ser colocado na Avenida
Barahona.
Inaugurado com
grande solenidade em 4 de Junho de 1933 pelo
então Presidente da República, Óscar Fragoso
Carmona, este monumento com a altura de onze
metros, é encimado por uma figura alada em
bronze simbolizando Vitória, sobrepujando um
plinto de granito regional.
O brasão da
cidade de Évora faz também parte do
conjunto, abaixo do qual tem a seguinte
inscrição em latim: “Feliis Pró Pátria
Caesis Ebora”, que significa “Évora oferece
aos filhos mortos pela pátria”, da autoria
do Professor Domingos António Vaz Madeira.
Dos lados
esquerdo e direito tem as legendas: “ França
1917-1918” e “África 1914-1918”, na parte de
baixo uma placa de bronze com o escudo da
Liga dos Combatentes da Grande Guerra e, a
cada canto do monumento, um obus também em
bronze.
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Ruínas da Ponte Antiga do Xarrama

Encontra-se a
cerca de 3.500m da cidade de Évora na
Herdade da Chaminé onde atravessa o rio
Xarrama, junto da actual ETAR.
Ponte arruinada
(considerada romana por Túlio Espanca), de
que se conservam três arcos de volta
perfeita. No restante corpo identifica-se o
arranque de um descarregador de secção
rectangular.
Utiliza como
matéria-prima o granito, com trabalho de
cantaria nas aduelas e nos paramentos. O
enchimento é constituído por alvenaria unida
com argamassa de cal.
Apresenta
tabuleiro horizontal, protegido por guardas,
onde se abrem duas goteiras, a jusante, para
escoar a água da chuva.
Sofreu algumas
reconstruções e melhoramentos, sendo o mais
notório, a aplicação de talhamares a
montante, claramente independentes do corpo
da ponte.
Fica na linha
do primitivo itinerário militar do imperador
Antonino Pio, de Évora-Beja. Em 1519, um dos
limites da coutada real era dado pelo
caminho que ia de S. Brás até uma ponte que
atravessava aqui o Xarrama.
(JAM)
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Convento de Nossa Senhora dos Remédios

O Convento de
Nossa Senhora dos Remédios fica situado
junto à Porta de Alconchel, freguesia de
Horta das Figueiras, na cidade de Évora.
Esta casa religiosa foi fundada no ano de
1606, pelo Arcebispo de Évora D.Teotónio de
Bragança, para os frades da Ordem dos
Carmelitas Descalços.
O convento,
erguido extra-muros, caracteriza-se
arquitectonicamente pelas linhas severas
impostas pelo Concílio de Trento. Na fachada
principal, ornada com o brasão eclesiástico
do fundador, destaca-se a imagem de mármore
de Nossa Senhora dos Remédios. O convento
adoptou esta denominação porque os
carmelitas descalços, ao chegarem a Évora
(antes da edificação do convento) ocuparam a
antiga ermida de Nossa Senhora dos Remédios
(na Rua do Raimundo).
O interior da
igreja apresenta um notável conjunto de
talha dourada do estilo barroco-rococó,
sendo uma das igrejas eborenses mais rica
desta arte. Em 1792, deu-se neste convento o
famoso caso da Beata de Évora.
Após 1834
(Extinção das Ordens Religiosas em
Portugal), o edifício e cerca entraram em
posse do estado, que em 30 de Maio de 1839 o
cedeu à Câmara Municipal de Évora, para
instalação do cemitério público. Para
entrada do cemitério felizmente se
aproveitou, do demolido Mosteiro de São
Domingos, o grandioso portal de mármore
(1537), atibuído ao escultor Nicolau de
Chanterene. Presentemente encontram-se
instalados no antigo Convento o
Conservatório Regional Eborae Musica, além
de um núcleo museológico municipal.
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